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Informação de saúde

Rastreio do cancro do colo do útero: o que mudou

Publicado pelo secretariado da SPOG

O rastreio do cancro do colo do útero foi, nas últimas duas décadas, uma das intervenções de saúde pública com melhor relação entre esforço e resultado. A alteração mais relevante — a passagem da citologia para o teste de HPV como exame primário — ainda gera dúvidas nas consultas, sobretudo quanto aos intervalos.

Porque mudou o exame

Praticamente todos os casos de cancro do colo do útero resultam de infeção persistente por tipos de alto risco do vírus do papiloma humano. O teste de HPV deteta a presença do vírus antes de existirem alterações celulares, o que lhe dá maior sensibilidade do que a citologia convencional.

Maior sensibilidade permite intervalos mais longos com segurança. Um teste de HPV negativo tem um valor preditivo negativo muito elevado: a probabilidade de vir a desenvolver lesão significativa nos anos seguintes é baixa.

O que fazer com cada resultado

  • HPV negativo — repetir no intervalo recomendado. Não há indicação para exames adicionais.
  • HPV positivo com citologia normal — não significa lesão. Significa infeção, que na maioria das mulheres é transitória e resolve espontaneamente. Implica vigilância mais próxima, não tratamento.
  • HPV positivo com alterações citológicas — indicação para colposcopia, para observar diretamente o colo e biopsar se necessário.

Vacinação não dispensa rastreio

É a confusão mais frequente. A vacina cobre os tipos responsáveis pela maioria dos casos, mas não todos, e mulheres vacinadas mantêm indicação para rastreio segundo o mesmo calendário. A vacinação reduz a incidência; não a anula.

Quando o rastreio termina

Existe idade a partir da qual, havendo histórico de rastreios negativos adequados, se pode cessar. Não se aplica a quem nunca foi rastreada, a quem tem histórico de lesões tratadas ou a mulheres imunodeprimidas — situações em que a vigilância se mantém.

Histerectomia total por patologia benigna, com colo removido e sem antecedentes de lesão, dispensa a continuação. Histerectomia subtotal, com colo preservado, não dispensa.

O obstáculo real

O problema em Portugal não é o desenho do programa, é a cobertura. A maioria dos casos diagnosticados em estádio avançado ocorre em mulheres que nunca fizeram rastreio ou o fizeram há muitos anos. Qualquer ganho adicional virá mais de alcançar quem está de fora do que de encurtar intervalos a quem já cumpre.