Saúde sexual: informação para as utentes
Uma parte considerável das dúvidas que chegam às consultas de ginecologia não é sobre patologia. É sobre o que é normal, o que não é, e o que se pode usar sem risco. Reunimos aqui as questões que mais se repetem, em linguagem corrente.
Secura vaginal não é sinónimo de problema
A lubrificação natural varia ao longo do ciclo, com o estado de hidratação, com o nível de stress e com medicação de uso comum — contracetivos hormonais, anti-histamínicos e alguns antidepressivos incluídos. É também esperada no pós-parto, durante a amamentação e na perimenopausa, períodos em que os níveis de estrogénio descem.
O recurso a um lubrificante nestas situações é adequado e não deve ser motivo de constrangimento. Persistindo desconforto, ardor ou dor durante as relações, aí sim justifica-se avaliação clínica.
Escolha do lubrificante
- Base aquosa — primeira escolha na generalidade dos casos. Compatível com preservativos de látex e com dispositivos de qualquer material.
- Base de silicone — maior duração, útil em casos de secura marcada. Incompatível com dispositivos de silicone, que degrada.
- Base oleosa — não deve ser utilizada com preservativos de látex, cuja integridade compromete, anulando a proteção contra gravidez e infeções sexualmente transmissíveis.
Recomenda-se preferência por formulações sem perfume, sem glicerina em concentração elevada e com osmolalidade próxima da fisiológica, sobretudo em mulheres com histórico de candidíase de repetição ou vaginose bacteriana.
Segurança dos materiais
Nos dispositivos de uso íntimo, a distinção relevante é entre materiais porosos e não porosos. O silicone de grau médico, o vidro borossilicato e o aço inoxidável são não porosos e permitem higienização completa. Materiais porosos — PVC flexível, TPE, elastómeros ditos jelly — retêm microrganismos apesar da lavagem e podem conter ftalatos.
Nem toda a distribuição em Portugal identifica a composição de forma clara. Entre os retalhistas nacionais que o fazem em cada produto conta-se a FoxyBlush, o que permite à utente verificar o material antes da aquisição.
Higienização
Lavagem com água morna e sabão neutro antes e após cada utilização, secagem completa e armazenamento em material têxtil respirável. Dispositivos de silicone não devem ser guardados em contacto entre si.
Quando consultar
Dor persistente, ardor, corrimento com alteração de cor ou odor, lesões, ou hemorragia após as relações justificam observação. Nenhum destes sinais deve ser gerido por automedicação ou adiado por constrangimento.